26/08/2020

GRÂNDOLA VILA MORENA

Intérprete: Amália Rodrigues
"Grândola, Vila Morena" (Single 78 RPM) (1974)
Autor; José Afonso
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Grândola, Vila Morena
Terra da fraternidade
O povo é quem mais ordena
Dentro de ti, ó cidade

Dentro de ti, ó cidade
O povo é quem mais ordena
Terra da fraternidade
Grândola, Vila Morena

Em cada esquina, um amigo
Em cada rosto, igualdade
Grândola, Vila Morena
Terra da fraternidade

Terra da fraternidade
Grândola, Vila Morena
Em cada rosto, igualdade
O povo é quem mais ordena

À sombra duma azinheira
Que já não sabia a idade
Jurei ter por companheira
Grândola, a tua vontade

Grândola, a tua vontade
Jurei ter por companheira
À sombra duma azinheira
Que já não sabia a idade

GOSTO DA MINHA CASINHA

Intérprete: Amália Rodrigues
"Rara e Inédita" (Compilação) (1989)
Autores: Linhares Barbosa / Ricardo Borges de Sousa
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Gosto da minha casinha
Não invejo a de ninguém
Apesar de pobrezinha
Só na minha é que estou bem

Não tem luxo nem grandeza
Tem o pouco que eu lhe dou
É uma casa portuguesa
E pequena como eu sou

É modesta, mas bizarra
Dá-lhe o sol durante o dia
E à noite uma guitarra
Vai fazer-me companhia

Quem a olha cá de fora
Deve ter adivinhado
Que na minha casa mora
Alguém que ama e canta o Fado

GOSTAVA DE SER QUEM ERA

Intérprete: Amália Rodrigues
"Gostava De Ser Quem Era" (Album LP 33 RPM) (1980)
Autores: Amália Rodrigues  /  Carlos Gonçalves
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Tinha alegria nos olhos
Tinha sorriso na boca
Tinha uma saia de folhos
Tinha uma cabeça louca

Tinha uma louca esperança
Tinha fé no meu destino
Tinha sonhos de criança
Tinha um mundo pequenino

Tinha toda a minha rua
Tinha as outras raparigas
Tinha estrelas, tinha a lua
Tinha rodas de cantigas

Gostava de ser quem era
Pois quando eu era menina
Tinha toda a primavera
Só numa flor pequenina




GORIONCILLO PECHO AMARILLO

Intérprete: Amália Rodrigues
"Saudade Vai-Te Embora" (Album LP 33 RPM) (1959)
Autores: Tomás Méndez Sosa
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Revoloteando el nido destruido
Un gorrioncillo pecho amarillo
Con sus alitas casi sangrando
Su pajarita anda buscando

Cuando se cansa se para y canta
Y hasta parece que esta llorando
Luego se aleja y se va cantando
Solo Dios sabe que va llorando

Ay pajarillo gorrioncillo pecho amarillo
Nomás de verte ya estoy llorando
Porque Dios sabe al estar mirando
Que ando sangrando igual que tu

Revoloteando el nido destruido
Un gorrioncillo pecho amarillo
Con sus alitas casi sangrando
Su pajarita anda buscando

GONDARÉM

Intérprete: Amália Rodrigues
"Cantigas Numa Língua Antiga" (Album LP 33 RPM) (1977)
Autores: Pedro Homem de Mello / Alain Oulman
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Vim morrer a Gondarém 
Pátria de contrabandistas.
A farda dos bandoleiros
Não consinto que ma vistas.

Numa banda a Espanha morta
Noutra Portugal sombrio
Entre ambos galopa um rio
Que não pára à minha porta.
E grito, grito: Acudi-me.
Ganhei dor. Busquei prazer.
E sinto que vou morrer
Na própria pátria do crime.

Vou morrer a Gondarém
Pátria de contrabandistas
A farda dos bandoleiros
Não consinto que ma vistas.

Por mor de aprender o vira
Fui traído. Mas por fim,
Sei hoje, que era a mentira
Que então chamava por mim.
Nada haverá que me acoite
Meu amor, meu inimigo,
E aceito das mãos da noite
A memória por castigo.

Vim morrer a Gondarém
Pátria de contrabandistas
A farda dos bandoleiros
Não consinto que ma vistas.

GAIVOTA

Intérprete: Amália Rodrigues
"Fado Corrido" (EP 45 RPM) (1964)
Autores: Alexandre O'Neill / Alain Oulman
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Se uma gaivota viesse
Trazer-me o céu de Lisboa
No desenho que fizesse
Nesse céu onde o olhar
É uma asa que não voa
Esmorece e cai no mar

Que perfeito coração
No meu peito bateria
Meu amor na tua mão
Nessa mão onde cabia
Perfeito o meu coração

Se um português marinheiro
Dos sete mares andarilho
Fosse quem sabe o primeiro
A contar-me o que inventasse
Se um olhar de novo brilho
Ao meu olhar se enlaçasse

Que perfeito coração
No meu peito bateria
Meu amor na tua mão
Nessa mão onde cabia
Perfeito o meu coração

Se ao dizer adeus à vida
As aves todas do céu
Me dessem a despedida
Do teu olhar derradeiro
Esse olhar que era só teu
Amor que foste o primeiro

Que perfeito coração
Morreria no meu peito
Meu amor na tua mão
Nessa mão onde perfeito
Bateu o meu coração

FUI AO MAR BUSCAR SARDINHAS

Intérprete: Amália Rodrigues
"Gostava De Ser Quem Era" (Album LP 33 RPM) (1980)
Autores: Amália Rodrigues / Carlos Gonçalves
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Fui ao mar buscar sardinhas
Para dar ao meu amor
Perdi-me nas janelinhas
Que espreitavam do vapor

A espreitar lá do vapor
Vi a cara dum francês
E sejá lá como for
Eu vou ao mar outra vez

Eu fui ao mar outra vez
Lá o vapor de abalada
Já lá não vi o francês
Vim de lá toda molhada

Saltou-me de mim toda a esperança
Saltou do mar a sardinha
Salta a pulga da balança
Não faz mal, não era minha

Vou ao mar buscar sardinha
Já me esqueci do francês
A idéia não é minha
Nem minha nem de vocês

Coisas que eu tenho na idéia
Depois de ter ido ao mar
Será que me entrou areia
Onde não devia entrar?

Pode não fazer sentido
Pode o verso não caber
Mas o que eu tenho rido
Nem vocês queiram saber

Não é para adivinhar
Que eu não gosto de adivinhas
Já sabem que eu fui ao mar
E fui lá buscar sardinhas

Sardinha que anda no mar
Deve andar consoladinha
Tem água, sabe nadar,
Quem me dera ser sardinha!




FUI AO BAILE

Intérprete: Amália Rodrigues
"Fado Xuxu" (Album LP 33 RPM) (1958)
Autor: Amadeu do Vale / Fernando de Carvalho
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Vesti a blusa nova estreei o meu xaile
Para contigo ir ao baile e dançar juntinha a ti
E até, p'ra tu me achares mais airosa e vistosa
Pus no cabelo uma rosa e chinelinha no pé

Mas mal entraste, bem vi que falaste c'oa Rosa Maria
Aquela que namoraste na Rua da Mouraria
P'ra não te dar o prazer de mostrar todo o meu azedume
Peguei o xaile e calei-me, e afastei-me sem um queixume

Fingi não ver e fui dançar
Com um rapaz que me andava a fazer um namoro a valer
P'ra comigo casar
Julgavas ter com quem brincar
Mas vê bem como tu te iludiste, quando no baile me viste
Nos braços dum outro a bailar

Saí depois do baile era já madrugada
Mas desta vez abraçada já a outro e não a ti
E vi que tu e a Rosa Maria se riram
Quando na rua assistiram ao abraço que eu lhe dei

Como é costume, bem vi no azedume do vosso embaraço
Que os torturava o ciúme, por ir com outro p'lo braço
E vi depois zangarem-se os dois, porque tu lhe disseste
Que estavas desiludido e arrependido do que fizeste

FUI À FONTE LAVAR OS CABELOS MINHA MÃE

Intérprete: Amália Rodrigues

FRIA CLARIDADE


Intérprete: Amália Rodrigues

Gravação original: "Avé Maria Fadista" (Single 78 RPM) (1952)
Autor: Pedro Homem de Mello / José Marques Amaral
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No meio da claridade
Daquele tão triste dia
Grande, grande era a cidade
E ninguém me conhecia!

Então passaram por mim
Dois olhos lindos, depois
Julguei sonhar, vendo enfim
Dois olhos, como há só dois?

Em todos os meus sentidos
Tive presságios de Deus
E aqueles olhos tão lindos
Afastaram-se dos meus!

Acordei, a claridade
Fez-se maior e mais fria
Grande, grande era a cidade
E ninguém me conhecia!

FORMIGA BOSSA NOVA

Intérprete: Amália Rodrigues
"Formiga Bossa Nova" (EP 45 RPM) (1969)
Autores: Alexandre O'Neil / Alain Oulman
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Minuciosa formiga
Não tem que se lhe diga
Leva a sua palhinha
Não tem que se lhe diga
Leva a sua palhinha
Asinha, asinha

Assim devera eu ser
E não esta cigarra
Que se põe a cantar
E não esta cigarra
Que se põe a cantar
E me deita a perder

Assim devera eu ser
De patinhas no chão
Formiguinha ao trabalho
De patinhas no chão
Formiguinha ao trabalho
E ao tostão

Assim devera eu ser
Assim devera eu ser
Assim devera eu ser

Se não fora não querer

FOI ONTEM

Intérprete: Amália Rodrigues
"Fado" (Album LP 33 RPM) (1959)
Autores: Júlio de Sousa
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Foi ontem que lembrei o meu passado
E o fantasma remorso deu um beijo
Só ontem percebi tudo acabado
À luz crua da vida em que me vejo
Um filho desse amor, amor-pecado
No meu pecado vivo se tornou
E chora, e fica triste
Sempre que canto este meu fado
Fado do amor que o amor matou
Foi ontem como hoje
E sempre e sempre o que há de vir
Oh Deus, dá-me sossego pra dormir
Foi ontem que fechei os olhos teus
Mas novamente veio a primavera
E eu que julgava ter fechado os meus
O outro ninho, outro ciclo ou folhas dera
Foi ontem que fugiu, outra o levou
Porque será que tudo me castiga?
Porque será que eu canto esta toada, esta cantiga
Que a experiência da vida me ensinou
Foi ontem, como hoje
E sempre e sempre o que há de vir
Oh Deus, olha por mim
Quero dormir

FOI DEUS


Intérprete: Amália Rodrigues
Gravação original: "Amália at Abbey Road" (Album) (1952)
Autor: Alberto Janes
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Não sei, não sabe ninguém
Porque canto o fado
Neste tom magoado
De dor e de pranto
E neste tormento
Todo o sofrimento
Eu sinto que a alma
Cá dentro se acalma
Nos versos que canto

Foi Deus
Que deu luz aos olhos
Perfumou as rosas
Deu oiro ao sol
E prata ao luar
Foi Deus
Que me pôs no peito
Um rosário de penas
Que vou desfiando
E choro a cantar
E pôs as estrelas no céu
E fez o espaço sem fim
Deu o luto às andorinhas
Ai, e deu-me esta voz a mim

Se canto
Não sei o que canto
Misto de ventura
Saudade, ternura
E talvez amor
Mas sei que cantando
Sinto o mesmo quando
Se tem um desgosto
E o pranto no rosto
Nos deixa melhor

Foi Deus
Que deu voz ao vento
Luz ao firmamento
E deu o azul às ondas do mar
Foi Deus
Que me pôs no peito
Um rosário de penas
Que vou desfiando
E choro a cantar
Fez poeta o rouxinol
Pôs no campo o alecrim
Deu as flores à primavera
Ai!, e deu-me esta voz a mim.

FLORERO

Intérprete: Amália Rodrigues
"No Canecão" (Album LP 33 RPM) (1976)


FLOR DO VERDE PINHO

Intérprete: Amália Rodrigues
"Obsessão" (Album LP 33 RPM) (1990)
Autores: Afonso Lopes Vieira / Carlos Gonçalves
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Ó meu jardim de saudades
Verde catedral marinha
E cuja reza caminha
Pelas roboantes naves.

Ai flores do verde pinho
Dizei que novas sabedes
Da minha alma cujas sedes
M'a perderam no caminho.

Revejo-te e venho exangue,
Acolhe-me com piedade
Longo jardim da saudade
Que me puseste no sangue.

Ai flores do verde ramo
Dizei que novas sabedes
Da minha alma cujas sedes
M'alongaram do que eu amo.

A tua alma em mim existe
E anda no aroma das flores
Que te falam dos amores
De tudo o que é lindo e triste.

A tua alma com carinho
Eu guardo-a e deito-a a cantar
Das flores do verde pinho
Àquelas ondas do mar.

Ai flores do verde ramo
Dizei que novas sabedes
Da minha alma cujas sedes
M'alongaram do que eu amo.

FLOR DE LUA

Intérprete: Amália Rodrigues
"Lágrima" (Album LP 33 RPM) (1983)
Autores: Amália Rodrigues, Carlos Gonçalves
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Solidão, campo aberto
Campo chão, tão deserto
Meu verão, ansiedade
Meu irmão, de saudade

Campo sol, girassol, branco lírio
Ilusão, solidão, meu martírio
Torna a flor, minha flor, campo chão
Torna a dor, minha dor, solidão

Vai no vento a passar
Um lamento a gritar
Dó ré mi, mi fá sol
Dó ré mi, girassol

Velho cardo, esguio nardo, flor de lua
Mi fá sol, girassol, eu sou tua
Torna a dor, minha flor, campo chão
Torna a dor, minha flor, solidão

Grita o mar, geme o vento
Teu olhar, meu tormento
Chora a lua, flor dourada
Madressilva, madrugada

Canta a lua, semi-nua, flor mimosa
Sargaçal, roseiral, minha rosa
Chora a fonte, reza o monte, branca asa
Canta a flor, chora a flor, campa rasa




FAZ-ME PENA


Intérprete: Amália Rodrigues
(não chegou a ser gravado)

FAZ HOJE UM ANO


Intérprete: Amália Rodrigues
Gravação inicial: "Amália at Abbey Road" (Album) (1952)
Autor: José Galhardo / Raul Ferrão
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Não olhes mais p'ra mim
Não foi p'ra amar que eu vim
Se em tal pensaste
Ao ver-me agora
É uma ilusão

P'ra isso eu já morri
Apenas venho aqui
Lembrar-te a hora
Em que mataste
Um coração

Faz hoje um ano
Dia por dia
Tenho-os contado
Que nos beijámos
Às escondidas
Naquela rua

Traçaste um plano
Todo alegria
Não estás lembrado?
E então juntámos
As nossas vidas
E então fui tua

Faz hoje um ano
Estava eu em festa
Cheia de esperança
Quanto abandono
Quanta maldade
Quanto impudor

Já desse engano
Pouco mais resta
Que uma lembrança
Que um lar sem dono
Que uma saudade
E o meu amor

Depois de mim também
Na vida amaste alguém
Alguém amaste
E essa paixão
Não foi feliz

É que Deus chora ao ver
Trair uma mulher
E tu pagaste
Uma traição
Que Deus não quis

Faz hoje um ano
Estava contigo
Viste-a à janela
Eu não vi nada
Nem vi que ela
Era a teu gosto

Que desumano
Foste comigo
Pior foi ela
Eu estou vingada
Mas tenho pena
Do teu desgosto

Faz hoje um ano
Tu não sentias
Raiva e despeito
Faz o que eu peço
Guia os teus passos
Ouve-me enfim

Se o desengano
Queima os teus dias
Chora em teu peito
Volta aos meus braços
Volta que eu espero



FANDANGUEIRO

Intérprete: Amália Rodrigues
"As Águias" (EP 45 RPM) (1964)
Autores: Pedro Homem de Mello / Alain Oulman
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Sua canção fora a Gota.
Sua dança fora o Vira.
Chamavam-lhe "o Fandangueiro".
Mas seu nome verdadeiro
Quando bailava, bailava...

Não era nome de cravo
Nem era nome de rosa;
Era o de flor, misteriosa,
Que se esfolhava, esfolhava…

E havia um cristal na vista
E havia um cristal no ar
Quando aquele fandanguista
Se demorava a bailar!
E havia um cristal no vento
E havia um cristal no mar.
E havia no pensamento
Uma flor por esfolhar...
Fandangueiro! Fandangueiro?

(Nem sei que nome lhe dar...)

Tinha seus braços erguidos
Não sei que ignotos sentidos...
- Jeitos de asa pelo ar...
Quando bailava, bailava,
Não era folha de cravo
Nem era folha de rosa.
Era uma flor, misteriosa,
Que se esfolhava, esfolhava...

FALSA BAIANA

Intérprete: Amália Rodrigues
"Rara e Inédita" (Compilação) (1989)
Autores: Geraldo Pereira
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Baiana que entra na roda e só fica parada
Não canta, não samba, não bole nem nada
Não sabe deixar a mocidade louca.

Baiana é aquela que entra no samba de qualquer maneira
Que mexe, remexe, dá nó nas cadeiras
Deixando a moçada com água na boca.

A falsa baiana quando entra no samba ninguém se incomoda
Ninguém bate palma, ninguém abre a roda
Ninguém grita ôba, salve a Bahia, Senhor!

Mas a gente gosta quando uma baiana quebra direitinho
De cima embaixo revira os olhinhos
E diz eu sou filha de São Salvador!

FALLASTE CORAZON

Intérprete: Amália Rodrigues
"Les amants du Tage" (Album) (1955)
Autor: Cuco Sanchez
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Y tú que te creías el rey de todo el mundo
Y tú que nunca fuiste capaz de perdonar
Y cruel y despiadado de todo te reías
Hoy imploras cariño aunque sea por piedad

¿A dónde está tu orgullo? ¿a dónde está el coraje?
Porque hoy que estás vencido mendigas caridad
Ya ves que no es lo mismo amar que ser amado
Hoy que estás acabado ¡qué lástima me das!

¡Maldito corazón!
Me alegro que ahora sufras
Que llores y te humilles
Ante ese gran amor

La vida es la ruleta en que apostamos todos
Y a ti te había tocado no más la de ganar
Pero hoy la buena suerte la espalda te ha volteado
Fallaste corazón, no vuelvas a apostar

¡Maldito corazón!
Me alegro que ahora sufras
Que llores y te humilles
Ante este gran amor

La vida es la ruleta en que apostamos todos
Y a ti te había tocado no más la de ganar
Pero hoy la buena suerte la espalda te ha volteado
Fallaste corazón, no vuelvas a apostar

FAIA

Intérprete: Amália Rodrigues
"Fado Xuxu" (Album LP 33 RPM) (1958)" 
Autores: Linhares Barbosa / Martinho da Assunção
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Vieram dizer-me há pouco
Que andavas louco
Por certa dama
Muito nobre, muito bela
Ias com ela
Ali p'ra Alfama

Não adivinho quem seja
Nem tenho inveja
Mas dá nas vistas
Que uma senhora tão chique
Cante ao despique
Com as fadistas

Esses becos e travessas
Não são p'ra essas
Senhoras finas
Alfama é das cantadeiras
Das costureiras
E das varinas
Se é só para te agradar
Que anda a cantar
Diz-lhe que não
Que não cometa o pecado
De usar o Fado
Como brasão

A guitarra nos teus dedos
Tem mil segredos
E faz feitiço
A ela todas se prendem
Todas se rendem
Sem dar por isso

Se foi a tua guitarra
Bruxa e bizarra
Que ao Fado a trouxe
Que seja muito feliz
Já que Deus quiz
Que eu o não fosse