27/08/2020

MEIA NOITE E UMA GUITARRA

Intérprete: Amália Rodrigues
"Amália - Vou Dar de Beber à Dor" (EP 45 RPM) (1968)
Autores: Álvaro Duarte Simões
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Meia-noite, uma guitarra
Meia vida por viver
E a saudade que se agarra
Ao cantar de uma mulher
Meia-noite, uma guitarra
Meia vida por viver

Pelas ruas mais sombrias
Passa o tempo que passou
Serenatas de outros dias
Que a voz do tempo cantou
Pelas ruas mais sombrias
Passa o tempo que passou

É loucura sem sentido
Caminhar por onde vou
Viver é estar-se perdido
Morrer é estar onde estou
É loucura sem sentido
Caminhar por onde vou

Meia-noite é meio da vida
Meia vida por viver
Guitarra triste, esquecida
Que ninguém sabe entender
Meia-noite é meio da vida
Sem ninguém pra me entender


MEDO

Intérprete: Amália Rodrigues
"Segredo" (Album LP 33 RPM) (1997)
Autores: Reinaldo Faria / Alain Oulman
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Quem dorme à noite comigo
Quem dorme à noite comigo
É meu segredo, é meu segredo
Mas se insistirem, lhes digo
Mas se insistirem, lhes digo

O medo mora comigo
O medo mora comigo
Mas só o medo, mas só o medo

E cedo porque me embala
E cedo porque me embala
Num vai-vem de solidão
É com silêncio que fala
É com silêncio que fala

Com voz de móvel que estala
E nos perturba a razão
E nos perturba a razão
Gritar quem pode salvar-me
Gritar quem pode salvar-me
Do que está dentro de mim
Gostava até de matar-me
Gostava até de matar-me
Mas eu sei que ele há-de esperar-me
Ao pé da ponte do fim
Ao pé da ponte do fim



MARUJO PORTUGUÊS (Fado Marujo)

Intérprete: Amália Rodrigues
"Fado Marujo" (Single 78 RPM) (1952)
Autor: Artur Ribeiro / Linhares Barbosa
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Quando ele passa, o marujo português
Não anda, passa a bailar, como ao sabor das marés
E quando se jinga, põe tal jeito, faz tal proa
Só para que se não distinga
Se é corpo humano ou canoa
Chega a Lisboa, salta do barco num salto
Vai parar à Madragoa ou então ao Bairro Alto
Entra em Alfama e faz de Alfama o convés
Há sempre um Vasco da Gama num marujo portugués

Quando ele passa com seu alcache vistoso
Tráz sempre pedras de sal no olhar malicioso
Põe com malicia a sua boina maruja
Mas se inventa uma carícia, não há mulher que lhe fuja

Uma madeixa de cabelo descomposta
Pode até ser a fateixa de que uma varina gosta
Sempre que passa um marujo português
Passa o mar numa ameaça de carinhosas marés


MARTÍRIOS


Intérprete: Amália Rodrigues
"Amália canta Portugal (II)" (Album) (1971)
Popular


MARIA RITA, CARA BONITA

Intérprete: Amália Rodrigues
"Amália canta Portugal III" (Album) (1972)
Autores: Popular
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Fui um dia a uma caçada
Ó Maria Rita, eras tão bonita!
Entrei na cevada, aveia!

Vi uma lebre deitada
Ó Maria Rita, eras tão bonita!
Com o pé alevantei-a!

Além vem a Maria Rita
Com o chapeuzinho ao lado
C´as calças de tiro-liro, casaca de pano, chapéu desabado!

Meti a espingarda à cara
Ó Maria Rita, eras tão bonita!
Dei ao gatilho, matei-a!

Já vinha ferida doutro,
Ó Maria Rita, eras tão bonita!
Não era minha, deixei-a!

Atirei um tiro à pomba
A pomba no ar voou

Ela ouço naquela roseira 
e a maldita pomba sempre lá ficou!

MARIA LISBOA

Intérprete: Amália Rodrigues
"Busto" (Album) (1962)
Autores: David Mourão-Ferreira / Alain Oulman
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É varina, usa chinela,
tem movimentos de gata;
na canastra, a caravela,
no coração, a fragata.

Em vez de corvos no xaile,
gaivotas vêm pousar.
Quando o vento a leva ao baile,
baila no baile com o mar.

É de conchas o vestido,
tem algas na cabeleira,
e nas veias o latido
do motor de uma traineira.

Vende sonho e maresia,
tempestades apregoa.
Seu nome próprio: Maria;
seu apelido: Lisboa.


MARIA LA PORTUGUESA

Intérprete: Amália Rodrigues

MARIA DA CRUZ

Intérprete: Amália Rodrigues
Gravação original: "Maria da Cruz" (Single) (1945)
Autores: Amadeu do Vale / Frederico Valério
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Chamava-se ela Maria
De sobrenome da Cruz
E na aldeia onde vivia, sorria
Vivia na paz de Jesus

Tinha um amor, a quem ela
Seu coração entregara
Junto ao altar da capela
Singela, onde ela
Paixão lhe jurara

Mas certo dia
Veio saber-se na aldeia
Que o seu pastor lhe mentia
Que esse amor se lhe extinguia
Como a luz de uma candeia

Desiludida do seu amor, a Maria
Deixou o lar e perdida
Veio cair desfalecida
Num portal da Mouraria

Sofreu a dor d'amargura
Perdeu o viço e a cor
E não voltou a ventura
A doçura, a ternura
Do amor do pastor

E hoje por cruz, a Maria
Que é da Cruz, por seu fadário
Arrasta na Mouraria
A cruz da agonia
A cruz do calvário!

Ainda canta
Uma canção quase morta
Mas o estertor na garganta
Oiço já, quando ela canta
Ao passar à sua porta

Não tarda o dia
Em que ela, enfim, já vencida
Terminará a agonia
De arrastar na Mouraria
Toda a cruz da sua vida


MAREMMA


(vídeo Amália Rodrigues – Official)
Intérprete: Amália Rodrigues
"Amália - A una terra che amo" (Album) (1973)



MARCHA DO FADO

Intérprete: Amália Rodrigues
"Marchas" (Album LP 33 RPM) ( 2010)
Autores: Armando Quatorze - Raul Dubini
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Cá vai a marcha do fado
Que pode não ser castiço
Se o cantamos mal cantado
Se o dançamos mal dançado
Ninguém tem nada com isso

Alfacinhas de gingeira
Temos a marcha no sangue
Marchamos por brincadeira
Se não gostas da maneira
Quem não gostar que se zangue

Cá vai a gente
Gente que não tem mania
Diz o que sente
E agora sente alegria
O que nos falta
Pode-nos faltar a graça
Mas esta malta
Pode de tudo ter falta
Mas não tem falta de raça

Aqui estamos p'ro despique
Com a Madragoa e Alfama
Até com Campo de Ourique
Quem não quiser vir que fique
Mas é fadista da trama
A nossa marcha é de todos
Não é minha nem é tua
Se gostam dos nossos modos
Venham que podem vir todos
Venham p'ró olho da rua

Cá vai a gente
Gente que não tem mania
Diz o que sente
E agora sente alegria
O que nos falta
Pode-nos faltar a graça
Mas esta malta
Pode de tudo ter falta
Mas não tem falta de raça


MARCHA DO ALTO DO PINA DE 1963

Intérprete: Amália Rodrigues
"Marchas de Lisboa" (EP 45 RPM) (1963)
Autores: César de Oliveira / Augusto Ramos / Carlos Dias
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Quando o Sol sorri sobre Lisboa
Logo o Alto Pina vai beijar
E saudar a gente boa
Que parte p’ra trabalhar

Mas a noite chega e surge a Lua
P’ra ‘nimar os bailaricos
Toda a gente vem p’ra rua
E no ar flutua, cheiro a manjerico

Aqui vai o Alto Pina
E ninguém lhe ensina
A ser mais popular
Traz na boca essas cantigas
Que as raparigas
Tanto gostam de cantar

Pula a fogueira num salto
P’ra manter a tradição
Um balão
O nosso bairro ilumina
Erguido no alto
No Alto do Pina

Vamos lá cantar deixem o resto
Venham cá ao bairro para o ver
É pitoresco e modesto
Mas alfacinha a valer

Alegre cantando a Marcha passa
Airosa, fresca e ladina
Mostrando bem toda a raça
Que leve esvoaça no Alto do Pina
Aqui vai o Alto Pina


MARCHA DE S. VICENTE

Intérprete: Amália Rodrigues
"Marchas de Lisboa" (EP 45 RPM) (1963)
Autores: Frederico de Brito , Raúl Portela
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Quando eu passo nos terreiros,
O teu amor não me quadra
É que eu tenho medo
Das más ações
Pois os teus olhos brejeiros
Andam na Feira da Ladra
Diz toda a gente
Que são ladrões!

A marcha de São Vicente
Alegra a gente quando passar!
Pois parece que atordoa
Toda Lisboa
Que a ouve cantar!
Acendeu aquela chama
Que torna os bravos a imortais
Não vive só da antiga fama!
Pois São Vicente é muito mais!

Quem puder vir com a gente
Há de trazer um balão
Um arco enfeitado
E saber marchar
Vai pedir a São Vicente
Ele não lhe diz que não!
E então vem na marcha
Sempre a cantar!





MARCHA DE S. JOÃO


Intérprete: Amália Rodrigues

MARCHA DE LISBOA (Marcha do Centenário)


Intérprete: Amália Rodrigues
"Les amants du Tage" (Album) (1955)
Autor: Raul Ferrão / Norberto de Araújo
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Toda a cidade flutua
No mar da minha canção
Passeiam na rua, pedaços de lua
Que caem do meu balão

Deixem Lisboa folgar
Não há mal que me arrefeça
A rir e a cantar, cabeça no ar
Que eu hoje perco a cabeça

Lisboa nasceu, pertinho do céu
Toda embalada na fé
Lavou-se no rio, ai ai ai menina
Foi baptizada na Sé !

Já se fez mulher e hoje o que ela quer
É cantar e dar ao pé
Anda em desvario, ai ai ai menina
Mas que linda que ela é!

Dizem que eu velhinha sou
Há oito séculos nascida
Nessa é que eu não vou, por mim não passou
Nem a morte nem a vida

O Pagem me fez um fado
Um fado me leu a sina
Não ter namorado, nem dor, nem cuidado
E ficar sempre menina!


MARCHA DE BENFICA

Intérprete: Amália Rodrigues
"Marchas de Lisboa" (EP 45 RPM) (1963)
Autores: Frederico de Brito / Rau Ferrão
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É raparigas
Isto agora é andarmos pra frente
Saltam cantigas aos molhos
Um riso nos olhos
E coração quente

Cá vai Benfica
E quem fica não vai com certeza
Ser alegre é que é preciso
Pois quem tem o riso
Tem sempre beleza

Olha a marcha de Benfica
Qual saloia cantadeira
Que entra na festa contente
Ai, ninguém fica sem cantar a vida inteira
Ouvindo a marcha da nossa gente

Haja alegria
Alegria é um bem que se abraça
Um desejo uma quimera
Um riso que espera
A marcha que passa

Vá por Benfica
Tudo alegre e contente pra dança
Há sempre um riso suspenso
Um desejo imenso
Que nos vem da herança


MARCHA DE ALFAMA

Intérprete: Amália Rodrigues
"Amália - Marchas" (EP 45 RPM) (1965)
Autores: Frederico de Brito / Pereira Coelho / Raúl Ferrão
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Não há ninguém que destrua
Este amor que nos abrasa
Cada um gosta da rua
Onde tem a sua casa

Quem na minha Alfama passa
Vê-a toda embandeirada
Porque o São João da Praça
Assentou praça na armada

No alto mar, fomos nós sempre os primeiros
Com Alfama a palpitar em fardas de marinheiros
Porque, afinal, foi destas pobres vielas
Que saiu o Portugal que embarcou nas caravelas

Quem quiser, veja em espelhos
Quem não pede é porque é mudo
Vá à Rua dos Remédios
Que há remédio para tudo

Meu amor, amor sem fé
Deixou-me por coisa pouca
Mora nas cruzes da Sé
E eu faço cruzes na boca