Listagem de canções (472) interpretadas por Amália Rodrigues, com os respectivos poemas, indicação dos autores das letras e músicas (258), respectivas datas de gravação e discos (335) gravados entre 1945 e 1999
31/08/2020
AMÁLIA
30/08/2020
ZÉ SOLDADO SOLDADINHO
Intérprete: Amália Rodrigues
"Zé Soldado Soldadinho" (EP 45 RPM) (1971)
Autores: Guilherme José de Melo, José Fontes Rocha
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Cais largado, nevoeiro, boa sorte...
Ai, ligeiro mar salgado, espumeirinho!
Deus teu o norte, teu roteiro, teu caminho,
Zé soldado, Zé soldado, soldadinho!
Longe, longe, na lonjura, aos da casa,
Só brancura, longe, longe, atravessa
Desenhado de mansinho, longe, longe,
Zé soldado, Zé soldado, soldadinho!
Arma o peito, chuva e lama, sentinela,
Quem te chama, corpo afeito, negro pinho,
Luz da vela, Deus louvado! Vem Zezinho!
Zé soldado, Zé soldado, soldadinho!
Ai, um dia voltarás, sol doirado, romaria!
Festa e vinho! Deus, teu norte!
Teu roteiro, teu caminho! Marinheiro,
Zé soldado, Zé soldado, soldadinho!
ZARZAMORA
Intérprete: Amália Rodrigues
Gravação inicial: "Amália at Abbey Road" (Album) (1952)
Autor: Rafael Leon / Antonio Quintero / Lopez Quiroga
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En el cafe de levante,
Entre palmas y alegrias,
Cantaba la zarzamora.
Se lo pusieron de mote,
Porque dicen que tenia,
Los ojos como las moras.
Le hablo primero a un tratante, y ole,
Y luego fue de un marques.
Que la lleno de brillantes, y ole,
De la cabeza a los pies
ZANGUEI-ME COM MEU AMOR
Intérprete: Amália Rodrigues
"Primavera" (Single 78 RPM) (1953)
Autor: Linhares Barbosa / Jaime Santos
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Zanguei-me com meu amor
Não o vi em todo dia
À noite cantei melhor
O fado da Mouraria!
O sopro duma saudade
Vinha beijar-me, hora a hora
Pra ficar mais à vontade
Mandei a saudade embora!
De manhã, arrependida
Lembrei-o e pus-me a chorar
Quem perde o amor na vida
Jamais devia cantar!
Quando regressou ao ninho
Ele que mal assobia
Vinha assobiar baixinho
O fado da Mouraria!
VOU DAR DE BEBER À DOR
"Amália - Vou Dar de Beber à Dor" (EP 45 RPM) (1968)
Autores: Alberto Janes
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Foi no Domingo passado que passei
à casa onde vivia a Mariquinhas,
mas 'stá tudo tão mudado
que não vi em nenhum lado
as tais janelas que tinham tabuinhas.
Do rés-do-chão ao telhado
não vi nada, nada, nada
que pudesse recordar-me a Mariquinhas,
e há um vidro pregado e azulado
onde havia as tabuinhas.
Entrei e onde era a sala agora está
à secretária um sujeito que é lingrinhas,
mas não vi colchas com barra
nem viola, nem guitarra,
nem espreitadelas furtivas das vizinhas.
O tempo cravou a garra
na alma daquela casa
onde as vezes petiscávamos sardinhas
quando em noites de guitarra e de farra
estava alegre a Mariquinhas.
As janelas tão garridas que ficavam
com cortinados de chita às pintinhas
perderam de todo a graça
porque é hoje uma vidraça
com cercadura de lata às voltinhas.
E lá p'ra dentro quem passa
hoje é p'ra ir aos penhores
entregar ao usurário umas coisinhas,
pois chega a esta desgraça toda a graça
da casa da Mariquinhas.
P'ra terem feito da casa o que fizeram
melhor fora que a mandassem p'rás alminhas,
pois ser casa de penhores
o que foi viveiro d'amores
é ideia que não cabe cá nas minhas
Recordaçoes do calor
e das saudades. O gosto
que eu vou procurar esquecer
numas ginginhas,
pois dar de beber à dor é o melhor,
já dizia a Mariquinhas.
VIUVINHA
"Amália - Formiga Bossa Nova" (EP 45 RPM) (1969)
Autores: Alexandre O'Neil / Alain Oulman
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Ela além vem a chorar
É bem feito, não há-de achar
Não há-de achar com quem casar.
Sou viuvinha
Das bandas d' além
Quero casar
Não acho com quem
Nem contigo
Só contigo
Meu lindo bem.
Viúva, triste viúvia
Viúva triste, triste coitada
Que por dar contas ao mundo
Vive só e abandonada.
Sou viuvinha
Das bandas d' além
Quero casar
Não acho com quem
Nem contigo
Só contigo
Meu lindo bem.
Tenham dó da viuvinha
Que ela ainda tem valor
Deus levou-lh'o seu marido
Deixou-lhe no peito o amor.
VITTI' NA CROZZA
"Amália - A una terra che amo" (Album) (1973)
VINGANÇA
Intérprete: Amália Rodrigues
Gravação original: "Amália at Abbey Road" (Album) (1952)
Autor: Lupicínio Rodrigues
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Eu gostei tanto
Tanto quando me contaram
Que a encontraram bebendo e chorando na mesa curvada
E quando os amigos do peito por mim perguntaram
Um soluço cortou sua voz
Não a deixou falar
Eu gostei tanto
Tanto quando me contaram
Que tive mesmo de fazer esforço para ninguém notar
O remorso talvez seja a causa do seu desespero
Você deve estar bem consciente do que praticou
Vem-me fazer passar essa vergonha com um companheiro
E a vergonha é a herança maior que o meu pai me deixou
Mas enquanto houver força em meu peito não quero mais nada
Só vingança, vingança, vingança aos santos clamar
Você há-de rolar como as pedras que rolam na estrada
Sem ter nunca um cantinho de seu para descansar
VIM ESPERAR O MEU AMIGO
"Cantigas d'Amigos" (EP 45 RPM) (1971)
Autores: Bernaldo de Bonaval - adaptação de Natália Correia / Fontes Rocha
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Ai, formosinha se me escutais
Longe da vila, que procurais?
“Vim esperar o meu amigo”
“Vim esperar o meu amigo”
Ai, formosinha, se me atendeis
Longe da vila, o que fazeis?
“Vim esperar o meu amigo”
“Vim esperar o meu amigo”
Longe da vila que procurais?
Sabei-o, já que o perguntais
“Vim esperar o meu amigo”
“Vim esperar o meu amigo”
Longe da vila o que fazeis?
Sabei-o, já que o não sabeis
“Vim esperar o meu amigo”
VIESTE DEPOIS
"Uma casa Portuguesa" (Single 78 RPM) (1953)
Autor: Linhares Barbosa / Jaime Santos
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Cantar para te agradar, para te prender
Sorrir para te atrair, já não pode ser
Não queres, não ligas, a nada te prendes
As minhas cantigas, não as compreendes
Não quero um homem sincero
Sem falsos ciúmes
Também preciso de alguém
Que me oiça os queixumes
Não sei se é pecado
Julgo que perdoes
O mal confessado
Eu vivo p'ra dois
Primeiro p'ro Fado
P'ra ti só depois
A sorte, aqui para nós
Põe cartas na mesa
O amor assim não tem cor
Nem cor nem pureza
Não acho bonito
A gente cansar-se
No vago delito
De um longo disfarce
O Fado não é culpado
Da minha ameaça
Sem ele a vida é cruel
Sem crença e sem raça
Alegre pareço, mas não é assim
Chorar apeteço
O Fado p'ra mim
Foi o meu começo
Será o meu fim
VIDA ENGANADA
"Amália 1963" (Compilação)
Autores: Luis de Macedo / Alain Oulman
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A luz do fado segue corrida
E uma guitarra nos cantava
A voz cansada nos dizia
A solidão da nossa saudade
Viver sem amor é vida fingida
Não ter um amor é não ter calor na noite cerrada.
Viver sem amor, sem sol contra o frio,
Sem lua, sem rio,
É vida sem vida,
Vida enganada.
À luz da lua, à beira rio,
Na voz do vento que passava
Longo silêncio me dizia
Que já não és a minha saudade
VI O MENINO JESUS
"Cantigas Ao Menino Jesus" (Single 78 RPM) (1981)
Autores: Amália Rodrigues, Carlos Gonçalves
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Vi o Menino Jesus
Que bonito que ele vinha
Trazia estrelas de luz
Ou eram brincos que tinha
Cabelos de seda tinha
Deu-lhos Nossa Senhora
Com pezinhos de andorinha
Andava pelo céu fora
Nossa Senhora
Meu roseiral
Enchei de rosas
Este Natal
Dois passarinhos azuis
Nos seus olhos lhe vi eu
Voando descendo à terra
Cantando voando ao céu
Lá vai uma lá vão duas
Três estrelinhas brilhando
Anda o Menino Jesus
À roda delas brincando
Vi o Menino Jesus
Seus olhos são estrelinhas
Suas mãos sinal da cruz
Seus pezinhos, andorinhas
Andam as nuvens ligeiras
E as estrelas no céu
A dizer umas às outras
O meu menino é meu
VERDE, VERDE
"Fado Português" (Album) (1965)
Autores: Pedro Homem de Melo / Alain Oulman
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A minha canção é verde
Sempre de verde cantei
De verde cantei ao povo
E fui de verde vestido
Cantar à mesa do rei
Verde, verde, verde, verde, verde
Verde em vão cantei!
Lindo moço, disse o povo
Verde moço, disse el rei!
Tive um amor, triste sina!
Amar é perder alguém
Desde então ficou mais verde
Tudo em mim, a voz, o olhar
E o meu coração também!
Verde, verde, verde, verde, verde
Verde em vão cantei!
Coração, por que és tão verde
Por que és verde assim também?
É uma vida além do luto
Amor à margem da lei
Amigos são inimigos
Larga-me, disseram todos
Só eu de verde fiquei!
Verde, verde, verde, verde, verde
Verde em vão cantei!
Ai, canção, por que és tão verde
Ai, por que és verde? Não sei!
VERDE PINO, VERDE MASTRO
"Segredo" (Album LP 33 RPM) (1997)
Autores: Alexandre O'Neil, Alain Oulman
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Não há flor do verde pino que responda
A quem, como eu, dorme singela,
O meu amigo anda no mar e eu já fui onda,
Marinheira e aberta!
Pesa-me todo este corpo que é o meu,
Represado, como água sem destino,
Anda no mar o meu amigo, ó verde pino
Ó verde mastro da terra até ao céu!
Soubera eu do meu amigo,
E não estivera só comigo!
Que onda redonda eu era para ele
Quando, fagueiro, desejo nos levava,
Ao lume de água e à flor da pele
Pelo tempo que mais tempo desdobrava!
E como, da perdida donzelia
Me arranquei para aquela tempestade
Onde se diz, duma vez, toda a verdade,
Que é a um tempo, verdade e fantasia.
Soubera eu do meu amigo,
E não estivera só comigo.
Que sou agora, ó verde pino, ó verde mastro,
Aqui prantado e sem poderes largar?
Na mágoa destes olhos, só um rastro,
Da água verdadeira doutro mar.
Soubera eu enfim do meu amigo,
E não estivera só comigo, em mim.
VAMOS OS DOIS PARA A FARRA
"Eu disse adeus à casinha" (Album 33 RPM) (1958)
Autor: Linhares Barbosa / Domingos Camarinha
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Vamos os dois para a farra,
Passar o dia na estroina!
Levo o saiote de barra,
E tu, a cinta e a boina!
Os meus vestidos discretos,
Acho que os não devo pôr,
Bastam-me os teus olhos pretos
Que nunca mudam de cor!
Vou cantar um outro fado
E vais gostar de me ouvir!
Hoje não quero pensar,
Hoje apetece-me rir!
Pra não fugir ao costume
Se os meus fados e motejos
Te provocarem ciúme,
Tapas-me a boca com beijos!
Acordei com este jeito
De lançar um desafio:
O teu coração vadio
Que anda a faltar-me o respeito!
VEM AO CASTELO
"Amália - Marchas Populares" (EP 45 RPM) (1969)
Autores: António José / Helena Moreira Viana
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Vem ver o Castelo
Aceita o convite
E vem vê-lo sem demora
Eu até tenho palpite
Que já não te vais embora
Sobe essa escadinha
Desce essa calçada
Vê todo o encanto que ele tem
P'ra sua rainha
Nunca mudou nada
E até está mais novo
Vejam bem
Vem ao Castelo tu que andas lá por fora
Não se perdoa que o não vejas agora
Pois na verdade todos sabe conquistar
E apesar da sua idade mais gosta de se enfeitar
Outros castelos mais bonitos não invejo
Que o de Lisboa debruçado sobre o Tejo
Tem namorados quantos mais, não sei
E o que suspiram coitados só o sabe o Cristo Rei
Vem cá ao Castelo
Abre bem os olhos
Pois ele talvez te prenda
Traz saia e blusa de folhos
Ou um vestido de renda
Podes ser modesta
Ou rica talvez
Ao Castelo tudo fica bem
Anda sempre em festa
Vem daí que vês
Como vai gostar de ti também
Vem ao Castelo tu que andas lá por fora
Não se perdoa que o não vejas agora
Pois na verdade todos sabe conquistar
E apesar da sua idade mais gosta de se enfeitar
Outros castelos mais bonitos não invejo
Que o de Lisboa debruçado sobre o Tejo
Tem namorados quantos mais, não sei
E o que suspiram coitados só o sabe o Cristo Rei
VALENTIM
"Amália Canta Portugal III" (Album) (1972)
Popular
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Adeus casa de meu pai
Adeus largo do quinteiro
Quero o Valentim olaró laró
Quero o Valentim olaró meu bem
Adeus mocidade nova
Adeus tempo de solteiro
Quero o Valentim olaró laró
Quero o Valentim olaró meu bem
No tempo das desfolhadas
Lá na aldeia era um regalo
Quero o Valentim olaró laró
Quero o Valentim olaró meu bem
Era o tempo em que eu chegava
A casa ao cantar do galo
Quero o Valentim olaró laró
Quero o Valentim olaró meu bem
Adeus casa de meu pai
Adeus quarto da palhada
Quero o Valentim olaró laró
Quero o Valentim olaró meu bem
Era a cama onde eu dormia
Ao chegar de madrugada
Quero o Valentim olaró laró
Quero o Valentim olaró meu bem
Adeus pau de marmeleiro
Se ele falasse dizia
Quero o Valentim olaró laró
Quero o Valentim olaró meu bem
As pancadas que me deu
Quando eu chegava ao ser dia
Quero o Valentim olaró laró
Quero o Valentim olaró meu bem
Adeus também ao meu pai
Quero o Valentlm olaró laró
Quero o Valentim olaró meu bem
Agora é que eu reconheço
O valor do marmeleiro
Quero o Valentim olaró laró
Quero o Valentim olaró meu bem