26/08/2020

FADO LISBOETA


Intérprete: Amália Rodrigues
Gravação original: "Aquela Rua" (Single 78 RPM) (1952)
Autor: Amadeu do Vale / Carlos Dias
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Não queiram mal a quem canta 
quando uma garganta enche e desgarra
E a mágoa já não é tanta 
se a confessar à guitarra

Quem canta sempre se ausenta 
da hora cinzenta da sua amargura
Não sente a cruz tão pesada, 
na longa estrada da desventura

Eu só entendo o fado plagente amargurado
À noite a soluçar baixinho
Que chega ao coração num tom magoado
Tão frio como as neves do caminho

Que chora uma saudade ou canta a ansiedade
De quem tem por amor chorado
Dirão que isto é fatal, é natural
Mas é lisboeta, isto é que é o fado

Oiço guitarras vibrando 
e vozes cantando na rua sombria
As luzes vão-se apagando 
a anunciar que é já dia

Fecho em silêncio a janela, 
já se ouvem na viela rumores de ternura

Surge a manhã fresca e calma, 
só em minha alma é noite escura

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