Gravação original: "Aquela Rua" (Single 78 RPM) (1952)
Autor: Amadeu do Vale / Carlos Dias
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Não queiram mal a quem canta
quando uma garganta enche e desgarra
E a mágoa já não é tanta
se a confessar à guitarra
Quem canta sempre se ausenta
da hora cinzenta da sua amargura
Não sente a cruz tão pesada,
na longa estrada da desventura
Eu só entendo o fado plagente amargurado
À noite a soluçar baixinho
Que chega ao coração num tom magoado
Tão frio como as neves do caminho
Que chora uma saudade ou canta a ansiedade
De quem tem por amor chorado
Dirão que isto é fatal, é natural
Mas é lisboeta, isto é que é o fado
Oiço guitarras vibrando
e vozes cantando na rua sombria
As luzes vão-se apagando
a anunciar que é já dia
Fecho em silêncio a janela,
já se ouvem na viela rumores de ternura
Surge a manhã fresca e calma,
só em minha alma é noite escura
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